O rapper angolano Deezy voltou a fazer barulho
no panorama musical com o lançamento do seu mais recente álbum, “Intervenção
Social”, disponibilizado oficialmente no 11 de Novembro de 2025,
data em que Angola celebrou os 50 anos da Independência Nacional.
Mais do que um simples álbum, Intervenção Social
é um manifesto. É a fusão entre arte e realidade, onde Deezy abandona o
conforto do entretenimento puro para vestir o papel de observador e porta-voz
dos problemas que marcam a sociedade angolana.
“A indústria musical é a maior Lava Jato que
existe aqui”, escreveu o artista nas suas redes sociais, antes do lançamento,
numa crítica aberta à falta de transparência e apoio no meio artístico
nacional.
Um álbum com propósito
O projeto conta com 10 faixas que misturam
lirismo, crítica e reflexão. As músicas falam de desigualdade, corrupção, fé e
esperança — temas sensíveis tratados com a frontalidade que sempre caracterizou
Deezy.
Entre os destaques estão:
- “Sinais”
(feat. Júnior Lisboa) — faixa de abertura, um apelo à atenção e à
consciência coletiva.
- “Todos
Roubam” (feat. Masta OGBIGBABE) — single que antecedeu o álbum, acompanhado de
videoclipe e mensagem direta sobre o comportamento social e político.
- “Verdadeira
Fé” (feat. Mano Chaba) — faixa de encerramento, carregada de emoção e
espiritualidade, com a participação póstuma do lendário Mano Chaba.
A produção musical ficou a cargo de nomes como Rafael
Beats, Eliei Produsons, NK, Jay Beats, MRVibes, Beatoven e NoGap Beats,
garantindo uma sonoridade moderna, mas fiel à essência do rap feito em Angola.
Colaborações que fortalecem a
mensagem
Para além das participações já mencionadas, o álbum
conta ainda com colaborações de Phedilson, Jimmy P, Dada 2, 12 Furos e Miss
Tchamba, artistas que partilham da mesma visão de mudança e
responsabilidade social através da música.
A obra foi lançada sob o selo da SOS Music,
label e movimento fundado por Deezy, que procura unir artistas com consciência
social e foco na autenticidade.
Mais do que música, uma chamada à
acção
Com Intervenção Social, Deezy assume uma
posição firme: o hip-hop não é apenas entretenimento, é intervenção. O álbum
chega num momento em que muitos jovens se sentem desiludidos com a realidade
política e económica do país, e as suas letras tornam-se eco de uma geração que
quer ser ouvida.
O lançamento na data da independência não é
coincidência. É simbólico. É um lembrete de que a liberdade também passa pela
coragem de falar o que precisa ser dito.
Redacção | Jornal da Texto Nu
Luanda, 13 de Novembro de 2025

0 Comentários